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Indústria 4.0

Por Flávio Maeda

Até antes da pandemia do COVID-19, vinhamos vendo um tímido, mas promissor, avanço de projetos e inciativas de Indústria 4.0 no Brasil.

Em 2018, a FIESP, em parceria com o SENAI, realizou uma importante pesquisa sobre a situação da Quarta Revolução Industrial no país. Entre outros pontos importantes da pesquisa que serviram para a elaboração de uma série de estudos e propostas, ela indicou que 90% das empresas concordam que a Indústria 4.0 “aumentará a produtividade” e que “é uma oportunidade ao invés de um risco”.

A pesquisa também indicou que 30% já deram início a esse processo, e 25% estão planejando. Para 52%, o progresso dessas iniciativas tem sido “limitado” e para 35% “substancial”.  Quanto ao investimento, em 2017, 38% desse grupo de empresas investiu até 0,5% do faturamento.

Esse nível de investimento ainda é pequeno, quando comparado ao investimento com outros países que estão mais avançados na Quarta Revolução Industrial como Alemanha, Coréia do Sul e China, principalmente considerando que o Brasil largou atrasado nessa corrida. Porém já é alguma coisa e mostra o nível de conscientização do empresariado brasileiro.

Infelizmente, esse movimento se vê abruptamente interrompido pelo avanço da pandemia da COVID-19 e pelos impactos de larga escala das medidas de combate à doença, principalmente na já combalida indústria nacional.

Porém, acredito que temos que fazer o possível para que esse avanço não seja totalmente interrompido. Como o Editorial do Estado de São Paulo de 21 de março de 2020 "Motivo de Orgulho e Otimismo" de forma excelente pontuou "No cenário atual de incertezas e preocupações, é motivo de orgulho e otimismo constatar a reação corajosa de tantas famílias, instituições e empresas batalhando por levar adiante suas tarefas, seus negócios, seus sonhos". E diz ainda "Esse modo de atuar demonstra não apenas a fortaleza de trabalhar e empreender em condições adversas, mas a capacidade e a sensibilidade de olhar o mundo para além dos problemas e circunstâncias pessoais".

De acordo com o Plano Nacional de Internet das Coisas, apenas esse pilar da Indústria 4.0, a IOT, ou IOT Industrial, tem potencial de adicionar à economia do Brasil algo em torno de 50 a 200 bilhões de dólares em 2025, através de ganhos em eficiência operacional, redução de custos, e receita adicional para as empresas obtida por novos modelos de negócios. Isso é particularmente importante para o Brasil, que precisa ter ganhos de produtividade em múltiplos do atual patamar para poder se equiparar ao nível mundial de produtividade. É conhecido o estudo que trabalhador norte-americano tem a produtividade de 5 brasileiros. No agronegócio nossa produtividade, pelo contrário, já é maior do que a dos demais países, e IOT tem o potencial de ampliar esse diferencial competitivo para o Brasil. E tudo isso é especialmente importante nesse momento que vivemos. Uma hora a pandemia irá passar e teremos que recuperar toda a produção perdida, utilizando-se o máximo da capacidade industrial instalada com o apoio das novas tecnologias.

Uma característica da Indústria 4.0, são os chamados sistemas cyber-físicos, uma combinação de infraestrutura física e virtual de produção. Ou ainda, os chamados gêmeos digitais, no qual ativos (ou a fábrica inteira) do mundo real, possui uma representação virtual que permite simular, monitorar e, além disso, com a inteligência artificial, antecipar problemas e otimizar a produção. Pesquisa da consultoria McKinsey indica que 1% dos dados gerados por toda a infraestrutura física, ou as tecnologias operacionais (OT – Operational Technologies) não são utilizados atualmente, e como o dado é o novo petróleo, estamos desperdiçando todos os dias nas empresas, um inestimável potencial de ganhos para o país, estimado em bilhões de reais.

Com essa parada repentina causada pela doença, muitas empresas já se demonstram incapazes de realizar projetos na infraestrutura física, devido às restrições de acesso e deslocamento de pessoas (prestadores de serviços externos) e materiais nas instalações industriais.

Porém, se todos se esforçarem, ainda é possível avançarmos no mundo virtual.  Com toda a força de TI (Tecnologia da Informação) e Engenharia das empresas, trabalhando em modelo home-office, e como toda a infraestrutura de TI ainda continua disponível, por estarem na nuvem (Cloud Computing), ainda temos chance de combinar essa força de trabalho que se mantém ativa, com a tecnologia virtual, para pelo menos não interrompermos completamente as iniciativas de Indústria 4.0 nas empresas. Além disso, como muitos projetos ainda estão em fase de planejamento e estudo de viabilidade econômico-financeiro, essa é a hora de aproveitarmos que a correria do dia-a-dia do chão-de-fábrica arrefeceu um pouco para podermos concentrar esforços nessa frente.

Outra frente que podemos avançar é na capacitação profissional. Segundo a mesma pesquisa da FIESP que diz: “A empresa que não buscar formas para ampliar este conhecimento certamente terá dificuldades para uma inserção competitiva no mercado”. É hora de concentrarmos esforços da Academia, Governo, Associações para juntos e rapidamente disponibilizar os recursos para o ensino a distância para aqueles que queiram aproveitar o confinamento em casa, para aprender e se desenvolver nas tecnologias da Indústria 4.0. Nesse sentido a ABINC se antecipou e criou uma plataforma chamada "Conexão IoT" que além do networking remoto e troca de conhecimento e experiências entre toda a comunidade de Internet das Coisas do Brasil, está preparada para oferecer cursos on-line. Na nossa plataforma já está havendo inclusive a discussão por especialistas do Comitê de Saúde de como a tecnologia de IOT pode ajudar no combate ao COVID-19. E em 09 de abril iremos celebrar por uma conferência virtual, o IoT Day, que é um evento global que já está em sua quinta edição.

Como disse o editorial do Estadão, precisamos superar as dificuldades pessoais para fazer com o que o país não pare. Na mesma edição do jornal ele disponibilizou um guia para o teletrabalho. Isso tem sido especialmente desafiante para mim, que com um filho pequeno testado positivo para o vírus após uma viagem internacional (que felizmente está super bem agora depois de uma rápida internação hospitalar, e eu continuo assintomático) e em quarentena já por uma semana em casa, tenho tentado manter a rotina de reuniões e trabalho com outros parceiros da indústria que se recusam a parar.

Contrariando a frase de John F. Kennedy, que a hora certa para se consertar o telhado é quando faz sol, precisamos aproveitar essa tempestade para consertar as nossas deficiências e tentar ganhar o tempo perdido do país na Quarta Revolução Industrial.

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Sobre o Autor: Flávio Maeda é fundador e atual vice-presidente da ABINC - Associação Brasileira de Internet das Coisas.  Responsável pelo Comitê de Manufatura e representante da associação no GT de Capital Humano da Câmara da Indústria 4.0 do Governo Federal. É também sócio da Konitech, uma empresa provedora e integradora de soluções de Digitalização da Manufatura e Indústria 4.0.

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