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Por Claire Lamarre

Comparando a manufatura enxuta e a ágil

“Nossas operações de manufatura devem ser mais enxutas? Ou mais ágeis? Basicamente, os termos manufatura enxuta e manufatura ágil são sinônimos, não são?”

Não exatamente.

Os termos "enxuta" e "ágil" tendem a ser usados de forma intercambiável. Como a maioria das palavras-chave na manufatura, elas são usadas para descrever muitas práticas divergentes, algumas das quais não são enxutas nem ágeis.

Este artigo esclarecerá as diferenças entre Manufatura Ágil e Manufatura Enxuta. Ao examinar as sobreposições entre esses métodos, ajudaremos você a entender como você poderá aplicar os princípios de cada um deles às suas operações.

A origem das manufaturas enxuta e ágil

Embora ambas as escolas de pensamento sejam comuns na manufatura moderna, Enxuta e Ágil emergiram de contextos totalmente diferentes.

A Manufatura Enxuta se baseia amplamente no Sistema Toyota de Produção, que foi desenvolvido no Japão entre 1948 e 1975. O método da Toyota enfatizou a redução de resíduos, o uso de recursos com a máxima eficiência e o respeito pelos trabalhadores. Com o sucesso das operações da Toyota e da Manufatura Enxuta, seus princípios ganharam credibilidade e reconhecimento. Em breve, esses princípios da Toyota Production System (TPS) evoluíram para a abordagem enxuta. A metodologia Enxuta se espalhou para outros setores e agora é uma reconhecida abordagem para o gerenciamento.

Manufatura ágil
Linha de produção da Toyota (fonte).

Por outro lado, a manufatura ágil surgiu do mundo do desenvolvimento de software. Em 2001, um grupo de engenheiros de software se reuniu em uma estação de esqui em Utah com o objetivo de encontrar melhores maneiras de desenvolver software. Eles escreveram o revolucionário Agile Manifesto, que descreveu um conjunto de valores e princípios criados para "descobrir melhores maneiras de desenvolver software". As ideias descritas no manifesto acima mencionado foram adaptadas para atender a muitos setores, e a Manufatura Ágil é a aplicação da abordagem “Agile” ao setor de manufatura.

Manufatura ágil
Foto de alguns dos engenheiros de software, que escreveram o Agile Manifesto, durante sua conferência em Snowbird, em Utah, em fevereiro de 2001.

Os objetivos dos métodos Ágil e Enxuto

Ambas as abordagens têm o mesmo objetivo abrangente, que é criar maior valor.

Os profissionais podem abordar esse objetivo de maneiras diferentes, mas as duas abordagens visam aumentar a produtividade e a eficiência.

A Manufatura Enxuta cria mais valor para os clientes, reduzindo o desperdício. Na estrutura Enxuta existem 8 tipos de desperdício: transporte, estoque, movimentação, espera, superprodução, super processamento, defeitos e talento não utilizado. Os profissionais enxutos se esforçam para fazer tudo da maneira mais simples possível, usando o menor número possível de recursos.

Por exemplo, para reduzir o desperdício de movimento, uma empresa pode agrupar todas as máquinas, ferramentas e materiais necessários para uma etapa de produção. Assim, os trabalhadores não precisariam fazer movimentos desnecessários no chão de fábrica, como caminhar até diferentes estações ou instalações de armazenamento para obter aquilo de que precisam.

Manufatura ágil
Os 8 desperdícios da Manufatura Enxuta: transporte, estoque, movimentação, espera, superprodução, super processamento, defeitos e talento não utilizado.

A Manufatura Ágil cria mais valor para os clientes, respondendo rapidamente às mudanças.

Nós vivemos em um ambiente em constante evolução. Novas tecnologias aparecem todos os dias. As necessidades dos clientes mudam o tempo todo. A demanda por mão de obra qualificada está superando a oferta. Novos concorrentes chegam ao mercado constantemente.

A manufatura ágil aproveita as mudanças que ocorrem no ambiente para gerar maior valor. As empresas ágeis são flexíveis e tendem a ser agnósticas em termos de tecnologia, ficando confortáveis ao buscar novas soluções tecnológicas para enfrentar os desafios. Por exemplo, diante de uma crescente escassez de mão de obra qualificada, uma empresa ágil pode adotar a tecnologia para aprimorar seu sistema de treinamento. Em vez dos operadores experientes perderem tempo supervisionando os estagiários − ou fazer os estagiários seguirem instruções complicadas em papel − uma empresa ágil pode usar programas digitais de treinamento, incluindo instruções de trabalho digitais, visão computadorizada ou RA (realidade aumentada).

Os princípios da manufatura enxuta e da manufatura ágil

Cada uma destas abordagens aplica diferentes princípios para atingir seus objetivos.

Manufatura Ágil versus Manufatura Enxuta
Os princípios que a Manufatura Enxuta e a Manufatura Ágil aplicam para alcançar seus objetivos abrangentes.

A Manufatura Enxuta cria mais valor para os clientes, reduzindo os desperdícios através da produção just-in-time, da Jidoka, da Heijunka, do trabalho padronizado e da Kaizen.

Vamos tentar entender a essência de cada um desses princípios.

A produção just-in-time consiste em produzir o que for necessário, quando for necessário e na quantidade necessária.

A Jidoka significa "automação com um toque humano". A ideia por trás da Jidoka é usar a automação para detectar quando situações anormais ocorrem e parar imediatamente o trabalho. Dessa forma, os operadores não desperdiçam seu tempo e suas habilidades em monitorar máquinas.

A Heijunka significa "nivelamento". Igualar o tipo e a quantidade da produção por um período fixo evita a necessidade dos lotes e reduz custos e estoques.

O trabalho padronizado refere-se ao estabelecimento de procedimentos precisos para cada operador, incluindo a sequência do trabalho, a taxa de manufatura dos produtos que são fabricados e o inventário.

A Kaizen significa "mudar para algo melhor". É frequentemente referida como "melhoria contínua" e é extremamente importante para a Manufatura Enxuta. Por meio dos Ciclos de Melhoria Contínua, alterações pequenas e mensuráveis são feitas nos processos e produtos. A Kaizen também se esforça para capacitar os trabalhadores e ouvir suas ideias. O conceito de Kaizen também é central para a Manufatura Ágil, mesmo que a sua embalagem seja diferente.

A Manufatura Ágil cria valor para os clientes respondendo rapidamente às mudanças através de rápidas iterações, flexibilidade, inovações de cima para baixo e colaboração multifuncional.

Manufatura Ágil
Os 4 valores fundamentais da Manufatura Ágil: flexibilidade, inovação de baixo para cima, rápida iteração e trabalhadores estendidos.

As iterações rápidas implicam a entrega de menores pedaços de valor com maior frequência. As versões de produtos e processos se sucedem rapidamente. As empresas coletam dados em cada versão para fazer melhorias constantemente. Aqui, duas ideias são importantes. Primeiro, os dados são cruciais para um processo iterativo bem sucedido. Segundo, o objetivo é a melhoria contínua (Kaizen!).

A flexibilidade é a capacidade de ser facilmente modificada e a vontade de mudar, embora seja importante que as operações de fabricação sejam estruturadas, e as empresas flexíveis não seguirem um plano linear predeterminado. Em vez disso, eles se adaptam às mudanças, à medida que elas surgirem.

Inovar de baixo para cima é uma abordagem para estruturar uma empresa, que dá maior poder à parte de baixo da organização, ou seja, aos trabalhadores. Os que estão mais próximos dos problemas os entendem melhor, de modo que as empresas ágeis colhem os benefícios de incentivar seus funcionários a se manifestarem. Capacitar trabalhadores é outra semelhança entre a Manufatura Enxuta (especificamente a Kaizen) e a Manufatura Ágil.

Enquanto que as abordagens Enxuta e Ágil concordam que os trabalhadores devem estar envolvidos na solução de problemas, os métodos de solução de problemas são diferentes. Com a abordagem Enxuta, os problemas são tratados um de cada vez. A abordagem Ágil segue a solução paralela de problemas: qualquer pessoa da empresa, de baixo para cima, que tenha acesso aos problemas, pode propor soluções. As soluções são testadas em iterações rápidas. Testar cedo e frequentemente diminui o risco de investir tempo e recursos em uma solução que acabará não sendo a ideal. Existe um risco maior associado a seguir um plano enxuto e não ser flexível aos ajustes ao longo do caminho.

Um processo Ágil consiste de vários ciclos rápidos de iteração.

Trabalhador estendido consiste em usar a tecnologia para aumentar as capacidades dos trabalhadores em vez de substitui-los por máquinas.

Conclusões

Enxuta e Ágil são duas abordagens para operações de manufatura que já provaram seu valor. Embora elas compartilhem algumas semelhanças, as abordagens são diferentes e as empresas devem adotar a correta para o seu contexto. Uma empresa que sofrer a influência de fatores externos − por exemplo, concorrentes, flutuações de mercado, comportamentos dos consumidores − pode recorrer à abordagem Ágil para se adaptar a essas mudanças mais rapidamente. Por outro lado, uma empresa que enfrentar ineficiências internas pode recorrer à abordagem Enxuta para reduzir o desperdício e aumentar a produtividade. De qualquer forma, os métodos Enxuto e Ágil não são mutuamente exclusivos. As empresas Enxutas podem aprender com as Ágeis e vice-versa.

Você poderá lembrar facilmente da Manufatura Enxuta como sendo “aquela com todas as palavras no idioma japonês” e da Manufatura Ágil como sendo “aquela da estação de esqui em Utah”.

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Fonte: Tulip

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