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Imagem de um homem trabalhando em uma fábrica de componentes eletrônicos para ilustrar o artigo,A manufatura antes, durante e depois do COVID-19

Por Natan Linder

Apesar da crescente crise, a última semana foi uma das mais animadoras da minha carreira.

Observamos indivíduos de toda a manufatura e em todo o mundo intensificando e agindo desinteressadamente em suas comunidades.

Se a última semana confirmou minha crença na bondade das pessoas, também confirmou uma observação menos otimista: nossos sistemas de manufatura não foram construídos para enfrentar isto.

O COVID-19 e o subsequente desligamento da economia exerceram enorme pressão sobre a manufatura. Mesmo assim, estamos no meio de uma mobilização diferente de tudo na história recente. As organizações estão fazendo tudo o que podem para dimensionar a produção, apesar da ruptura das cadeias de suprimentos, das limitações de mão-de-obra e da demanda que está mudando rapidamente.

Nosso momento atual é de ação, mas também de reflexão. Como chegamos até aqui? Como vamos responder? O que virá depois?

Atualmente, temos uma chance única em uma geração de transformar para melhor nossos sistemas de manufatura, e para que isso aconteça, é necessário responder corretamente essaperguntas.

Como chegamos aqui?

É impossível resumir a última década de manufatura em algumas centenas de palavras. Todavia, para mim, duas tendências exerceram uma enorme influência.

Sistemas globais complexos interconectados

Na última década, os mercados de manufatura tornaram-se extraordinariamente complexos. Isso é verdade, desde as cadeias de suprimentos que transportam matérias-primas e produtos acabados até os tipos de demandas dos consumidores que influenciam o que é fabricado em primeiro lugar.

Vamos ver inicialmente as cadeias de suprimento.

É óbvio que as cadeias de suprimentos são mais complexas do que nunca foram.

A forma óbvia de complexidade aqui é o alcance global. Se considerarmos a lista de fornecedores da Apple como um exemplo − útil aqui, porque está disponível publicamente e pelo domínio da gestão de operações da empresa − vemos dezenas de países, cinco continentes e centenas de fornecedores exclusivos. Considere os fornecedores desses fornecedores e você terá um sistema interdependente e altamente interligado. Esta é uma verdadeira maravilha moderna.

Mas essas mesmas interdependências que tornam as cadeias de suprimentos tão impressionantes também as tornam vulneráveis a reações em cadeia − sem trocadilhos − durante períodos de disrupção.

Para ver como isso afeta a atual crise de saúde pública, não precisamos procurar mais do que as empresas especializadas na fabricação de ventiladores pulmonares.

Em uma cobertura recente, o New York Times observou que a Medtronic, um dos principais fabricantes de ventiladores pulmonares, conta com uma cadeia de suprimentos global complexa, característica de nossa época. Um único ventilador requer 1.500 peças únicas provenientes de 14 diferentes países.

Entretanto, o foco na distribuição global pode mascarar outra forma de complexidade: a compressão.

As empresas tornaram-se especialistas em eliminar de suas cadeias de suprimento as etapas sem valor agregado. Elas fizeram isto por meio do gerenciamento de estoque, consolidação e diversificação de fornecedores, previsão de produção, entras outras medidas.

Como resultado, essas cadeias de suprimentos são mais eficientes em operações normais, mas menos resilientes em tempos de crise prolongada. Há menos estoque disponível e as conexões cuidadosamente otimizadas podem ser interrompidas à medida que várias empresas respondem a picos irregulares de demanda e escassez de materiais.

Tudo isso significa que as empresas enfrentam, na execução básica de seu trabalho, um conjunto de forças externas extremamente complexas: colocar materiais e mercadorias dentro e fora da porta.

Sistemas de manufatura complexos interconectados

O que acontece, então, quando esquecemos o mundo mais amplo e olhamos para dentro da fábrica?

Além das contingências externas, os sistemas de manufatura militam contra mudanças rápidas na produção à sua maneira.

Por um lado, muitas empresas ainda dependem muito de métodos analógicos para observar e analisar suas operações. Não há nada inerentemente errado com papel ou quadros brancos. Mas eles simplesmente não são a maneira mais rápida de entender e modificar processos sofisticados de produção. Em momentos como o nosso, quando a velocidade é importante, o papel nos mata.

Onde existem sistemas avançados de manufatura, eles também podem apresentar barreiras para mudanças ou redimensionamentos rápidos. Historicamente, o software de manufatura prioriza o escopo em detrimento da facilidade de uso. Esses sistemas podem puxar uma quantidade enorme de peso, gerenciando e rastreando as cadeias de valor de manufatura, desde a matéria-prima até o produto acabado.

E, no entanto, eles são extremamente complexos. Esses sistemas são customizados − ou adquiridos com módulos e recursos prontos para uso, o que leva a um conjunto diferente de dificuldades − para cada fábrica. O esforço pode levar anos para desenvolvedores, engenheiros e consultores finalizarem. Cada linha de código tende a se encaixar da mesma maneira em relação a outras, de modo que pequenas mudanças possam ocorrer de maneira imprevisível à jusante. Fazer alterações requer escopo, script e validação intensivos.

Esses sistemas já estão lutando contra as demandas do mercado, como ciclos curtos de vida dos produtos, ciclos rápidos de introdução de novos produtos e demanda por personalização. O que está acontecendo agora é uma intensificação radical de cada uma dessas demandas de mercado existentes.

Por exemplo, mudar de carros para máscaras faciais é uma forma extrema de introdução de novos produtos. A transferência de todos os recursos para os ventiladores pulmonares é semelhante à operação em ciclos extremamente curtos de vida de produtos.

No entanto, nossa necessidade atual de mudar a produção a qualquer momento está levando os sistemas de manufatura ao ponto de ruptura.

Em resumo, as empresas estão enfrentando dificuldades dentro e fora.

A pergunta permanece; então o que virá a seguir?

Uma saída

Então, neste ponto, precisamos perguntar: o que podemos aprender com essas tendências? O que as empresas poderão fazer agora para se preparar para a interrupção e para o que vier a seguir.

Digitalização básica 

Velocidade e flexibilidade são imperativas. Portanto, uma das primeiras coisas que as empresas poderão fazer é criar uma base digital em suas operações.

Há várias maneiras de fazer isso, mas o importante é observar que velocidade e flexibilidade não são possíveis sem dados bons e facilmente acessíveis. Um analista da ARC afirmou recentemente esse ponto de forma concisa.

“A manufatura ágil e flexível exige que as tecnologias digitais forneçam a velocidade para responder rapidamente às mudanças nas demandas do mercado e aos dados sobre os quais deverão ser tomadas essas decisões, seja em uma crise, ou em circunstâncias normais. Isto também requer uma profunda integração de sistemas díspares da cadeia de valor, particularmente no caso do COVID-19, quando vidas incalculáveis podem estar em risco”.

A digitalização não é uma panacéia. As organizações digitais não são imunes a interrupções. Mas elas estão melhor preparadas para absorver choques e se adaptar. Elas têm acesso a novas formas de resolução de problemas. E elas são muito mais capazes de voltar ao normal quando as condições se estabilizarem.

Ferramentas para o trabalhador da linha de frente

Os sistemas de manufatura não foram projetados para serem fáceis de usar. Raramente, se é que alguma vez, eles priorizaram a experiência do usuário. E, no entanto, é exatamente isso que é necessário para melhorar a velocidade e a flexibilidade.

Com as fábricas fechando temporariamente para proteger a segurança dos trabalhadores, não deve haver dúvida de que a manufatura ainda é, como sempre foi, uma indústria humana.

As ferramentas de manufatura devem capacitar os trabalhadores a se apropriarem de seus processos. Os atuais fluxos de desenvolvimento (de engenheiro de TI para desenvolvedores) não são suficientemente rápidos. E a informação se perde nas traduções.

As ferramentas de manufatura precisam liberar o conhecimento profundo da força de trabalho da linha de frente.

Rápida reciclagem e retreinamento

Mudar a produção não é apenas uma questão de projetar novas células e fluxos de trabalho. É uma questão de manter atualizados todos que participam da operação.

Portanto, é imperativo que o treinamento: A) seja fácil de projetar e iterar; B) espelhe os processos de produção reais; C) seja acessível de qualquer lugar (imagine quão rápido poderíamos nos mover se os funcionários pudessem treinar para novos processos enquanto estivessem presos em casa).

Aqui, iniciativas amplas de qualificação e aprimoramento de código aberto são tão importantes quanto os programas internos direcionados.

A manufatura será sempre tão flexível quanto sua força de trabalho. Portanto, quando pensarmos em um futuro, precisamos perguntar o que poderemos fazer para trazer nosso pessoal conosco.

Agora somos todos desenvolvedores de software

Neste artigo, mencionei várias vezes ciclos lentos de desenvolvimento de software. Isso é porque eles são uma das maiores barreiras para termos uma fabricação ágil.

Uma maneira de acelerar a produção é capacitar os funcionários com ferramentas sem código. Vimos isso acontecer com plataformas como a Salesforce. Com a Salesforce, especialistas no assunto (vendedores) subitamente conseguiram projetar aplicativos e módulos para seu trabalho exclusivo. Como resultado, a profissão evoluiu de baixo para cima, com trabalho oneroso negociado por processos mais eficientes e precisos.

A manufatura precisa capacitar os trabalhadores de maneira semelhante. Os funcionários da linha de frente precisam ser capazes de projetar software para seus processos exclusivos. Esse software precisa ser capaz de conectar sensores do chão de fábrica e fluxos de dados e sistemas de back-end (por exemplo, MES e ERP).

Se isto for possível, qualquer coisa será.

Como será a próxima década

A comparação entre nossa situação atual e a mobilização de guerra é hiperbólica. Fiz o máximo possível para evitar isto, mas quero invocar esta comparação contra meu melhor julgamento, a fim de destacar o potencial de transformação estrutural entre os diferentes setores de atividade.

Portanto, por favor tolere isto por apenas dois parágrafos.

Os projetos iniciados e os sistemas construídos durante a Segunda Guerra Mundial estabeleceram as bases para o período mais prolongado do florescimento humano na história. O nascimento de uma classe internacional de consumidores, sistemas econômicos e de produção globais e melhorias na qualidade de vida foram todos facilitados pela mobilização humana e industrial. 

Pensando de maneira otimista, e se este momento instigar uma maciça modernização da manufatura? Quais fundamentos poderíamos começar a estabelecer a partir de hoje para chegar a um novo florescimento? Quanto mais estaríamos prontos para a próxima crise? E para a seguinte? 

Há também uma pergunta mais urgente à espreita abaixo da superfície: se isto não for agora, quando será? 

O que o COVID-19 fez foi colocar sob um microscópio pequenas falhas nos sistemas de manufatura. Projetos e dependências que eram visíveis em operações normais agora estão claramente expostos. Mas, no momento atual, tudo isso é hipotético. 

Agora, estamos onde estamos. E nós (provavelmente) estamos no começo de uma longa luta que exigirá inovação e coordenação em grande escala. Então, agora, em nossas comunidades, casas e fábricas, precisamos cuidar um do outro e fazer nossa parte para nos mantermos seguros. 

Há males que vêm para o bem e uma nova manufatura pode nascer desta crise.

Fonte: Tulip

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Este guia apresentará o aprimoramento da manufatura – as novas tecnologias, seus casos de uso e seus princípios. Definiremos o que significa extensão no contexto da manufatura, explicaremos por que a manufatura precisa ser aprimorada agora e avaliaremos as diferentes tecnologias e aplicações que estão ampliando a atividade dos trabalhadores no chão de fábrica, no cenário atual.

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