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automação industrial

Por John Klaess 

Nos últimos 5 anos, a automação saltou para a vanguarda das discussões públicas, pois os serviços, transportes e inúmeros outros ramos de atividade de mão de obra intensiva estão à beira da automação generalizada. Ainda assim, o ramo de atividade que continua sendo o maior ponto de inflamação da automação é o nosso, a manufatura. 

De várias maneiras, os comentaristas tratam a manufatura como o canário nas minas de carvão dos empregos. O mesmo acontece com a manufatura e a economia global. Parece que um novo relatório sai toda semana prevendo quantos postos de trabalho de manufatura serão ganhos (muitos!) e perdidos (ainda mais!) para a automação avançada nas próximas décadas. Seguindo alguns desses relatórios, seria razoável concluir que a automação industrial total está ao virar da esquina.

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Fonte: https://www.bbc.com/news/business-48760799

O problema com essas terríveis previsões é que elas estão pintando uma realidade extremamente complexa em termos gerais. Uma previsão recente é que até 2030 os robôs substituirão “20 milhões de empregos em fábricas” em todo o mundo (14 milhões na China). Outra previsão argumenta que, apenas nos Estados Unidos, no mesmo período, 2,5 milhões de empregos na manufatura devem ficar sem ser preenchidos (no Brasil podemos estimar pelo menos metade disso).

Se você pressionar um pouco, verá que não é difícil resolver essa discrepância. O fato é que a natureza do trabalho na manufatura está mudando e que os empregos que estão sendo criados na manufatura exigem um conjunto de habilidades muito diferente daquelas dos empregos que foram perdidos.

Este artigo é uma tentativa de trazer alguma clareza à questão da automação industrial. Vamos destacar alguns mitos duradouros e sugerir razões pelas quais eles não capturam toda a imagem.

1) A automação é mais barata que o trabalho humano

As razões pelas quais as empresas recorrem à automação industrial são aquelas com as quais todos nós estamos familiarizados. Os robôs realizam tarefas repetitivas melhor que os seres humanos, cuja mão de obra é cara, e os robôs podem trabalhar em condições que seriam mortais para os seres humanos.

Tudo isso é importante, mas o maior impulsionador da adoção da automação industrial é a linha de base (o lucro).

Mas a automação nem sempre nos conduz ao que é certo, por assim dizer. Como observou a Forbes, “complexidade, volume e margem se combinam de maneiras diferentes para descartar o uso de robôs em muitas aplicações”.

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Equilíbrio ideal entre a automação e a mão de obra em relação ao custo. Fonte: http://www.engineeringletters.com/issues_v16/issue_1/EL_16_1_21.pdf

Existem custos ocultos da automação à espreita abaixo do preço mencionado na etiqueta. Os robôs são caros de manter. Quanto mais complexa a automação, mais difícil pode ser diagnosticar e consertar. E os engenheiros de robótica são mais caros para contratar e reter do que os associados à fábrica (engenharia de produção). Isso pode resultar em uma situação irônica, na qual os custos de mão de obra de manutenção de robôs são realmente mais altos que o custo de manutenção de uma maior força de trabalho humana.

Essa foi uma lição que as montadoras americanas aprenderam a duras penas na década de 1980, e que a Tesla aprendeu da maneira ainda mais difícil há alguns anos atrás. Já em 1993, os pesquisadores descobriram que havia um equilíbrio ideal entre a automação e o trabalho humano.

Apesar das melhorias radicais da capacidade tecnológica, a situação não mudou muito desde então.

2) Tudo que os seres humanos fazem bem, os robôs podem fazer melhor e de maneira mais confiável

É verdade que, a cada dia que passa, as soluções robóticas estão cada vez mais avançadas.

Mas, independentemente das melhorias recentes da IA, mecanismos de aderência flexíveis e mobilidade, há um grande número de tarefas que são mais adequadas aos seres humanos.

Isso é particularmente verdadeiro na fabricação discreta, onde a demanda por produção personalizável, a montagem de conjuntos com grande número de componentes e a fragilidade dos itens fabricados tornam a automação impraticável.

Vale a pena repetir: se uma fábrica estiver produzindo milhões de uma única peça em condições adversas, a automação industrial é sem dúvida a decisão certa. Porém, para operações com produção variável, ciclos rápidos de introdução de novos produtos ou ciclos de vida curtos de produção, geralmente faz mais sentido treinar o trabalhador humano do que comprar e programar novas tecnologias robóticas.

3) Os robôs tomaram todas as vagas de trabalho. O mercado de trabalho na manufatura está encolhendo

Dependendo da fonte consultada, espera-se que na próxima década entre 2 e 3,5 milhões de empregos na manufatura não sejam ocupados. De acordo com o relatório mais recente do Bureau of Labor Statistics, o setor manufatureiro ainda está crescendo à taxa de 8.000 e 17.000 novos empregos industriais por mês (no Brasil os números são um pouco diferentes, mas esta comparação também serve para nós).

Portanto, não é verdade que o mercado de trabalho manufatureiro esteja desaparecendo. É importante saber por quê.

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Fonte: https://hbr.org/2017/03/augmented-reality-is-already-improving-worker-performance

Nos últimos 40 anos, a automação assumiu a maioria das tarefas repetitivas. Nós sabemos disso. Mas o que foi menos comentado é o fato de que os trabalhos que restaram são mais intelectuais e fisicamente complexos.

Ao mesmo tempo, a tecnologia da manufatura se multiplicou em sofisticação. Os engenheiros devem rotineiramente executar tarefas anteriormente executadas pelos engenheiros de software. A explosão de dados das máquinas conectadas significa que dobrou o número de engenheiros que funcionam como profissionais cientistas de dados. E quando as máquinas quebram, a manutenção está longe de ser trivial.

Em suma, o trabalho de manufatura agora é um trabalho que exige conhecimentos. Os trabalhos não preenchidos na manufatura são geralmente trabalhos que exigem capacitação em software, ciência de dados e robótica.

A questão é: o que podemos fazer para preenchê-los?

4) A automação total está no horizonte. Não há nada que possamos fazer para impedir isso

Apesar de todas as críticas que fiz aqui sobre a automação, ainda é possível encara-la honestamente. A tecnologia robótica e a IA estão melhorando e, a longo prazo, um número maior de tarefas que exigem muito trabalho será automatizado.

Isso vai acontecer em um futuro próximo? Não, mas vale a pena abordar a questão com alguma sinceridade.

Isso significa que devemos nos desesperar? Talvez. Mas isso ainda não preenche os 2 milhões de empregos de manufatura que teimosamente resistirão à automação.

Dado que a maior parte do trabalho na manufatura é agora trabalho que demanda conhecimentos, o que precisamos são programas que deem aos trabalhadores a oportunidade de se retreinar e de melhorar sua capacitação conforme a demanda do mercado. No momento, cientistas de dados, engenheiros de software e, sim, engenheiros de robótica são desesperadamente necessários na fabricação.

Em vez de apressar o advento da automação, as empresas devem considerar como podem ajudar a diminuir a lacuna de habilidades agora existente. Para cada trabalho perdido na automação, a manufatura perde uma fonte inestimável de domínio de conhecimentos. É importante considerar o que está realmente perdido junto com um emprego.

Nossa resposta é aumentar o número de trabalhadores com a tecnologia necessária para que eles aprimorem seu trabalho.

Quando capacitados com a tecnologia digital certa, os trabalhadores humanos podem fazer mais trabalho, melhor do que robôs ou seres humanos sozinhos.

Fechar a lacuna de habilidades não é algo que as empresas possam fazer sozinhas. Será preciso colaboração entre indústria, educação e governo. Mas é essencial não acreditar em tudo que ouvimos.

A empresa precisa separar o mito da realidade e definir adequadamente o problema, para ser possível obter uma solução que enfrente o desafio.

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Fonte: Tulip

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